sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sou isso e muito mais...

"Escutei" da minha própria irmã que eu deveria procurar empregos menos "dignos" na Finlândia, pois na Europa, eu sou uma simples latina. Não vou comentar os motivos que levaram a minha irmã a falar isso e eu já me resolvi com ela. Mas a parte "uma simples latina" me provocou muito (e acho que ainda me provoca). Então, resolvi que ia escrever um pouco e divulgar minha própria experiência sendo uma "latina" na Finlândia (pois meu caso é LOCAL e INDIVIDUAL, não vou sair dizendo receita de bolo que cabe em qq situação!).

Primeiro, que nós mulheres deveriamos ser as primeiras a não promover tal absurdo comentário. Me pertuba escutar tais coisas de mulheres, que não gostariam nem um pouco e serem julgadas como "simples latinas" que estão um país estrangeiro apenas para fazer serviços "menos dignos". Se você já começa se achando menor do que os outros, então o problema começou com você. Outra coisa, é óbvio que podem te julgar pela sua nacionalidade, isso pode acontecer em qualquer lugar. Entretanto, acredito que se você não segue essa mentalidade, mostra a que veio, sem cair na besteira em se colocar numa posição inferior por que você tem outra nacionalidade, isso já é um puta avanço, acredito.
Parece besteira, mas eu acredito que numa entrevista de trabalho, mais do que dizer sobre a sua nacionalidade, é dizer o que você sabe fazer, o que você tem a propor, e PRONTO.
Vou dar um pequeno exemplo, experiência pessoal: Estava numa entrevista de um emprego, falando sobre o serviço e perguntando o que era necessário. O responsável diz que conhece muito bem o Rio de Janeiro e diz que um colega da empresa foi baleado na frente do hotel.
Bom, eu não ia dar continuidade no assunto, pois não tinha motivo. Não tava lá para discutir problemas de violência no Brasil, por que também não fico SÓ divulgado os lados negativos do Brasil.
Outro exemplo foi quando fui procurar uma escola para dar aulas particulares de inglês para iniciantes. A moça perguntou onde eu tinha nascido, disse que no brasil, e ela falou "você deveria dar aula de espanhol", e pronto. Eu achei meio sem noção, ela foi grosseira, enfim, uma situação bem chata. E se você  já vem com todo preconceito de pessoas latinas são isso e aquilo, pronto! A coisa toma uma proporção gigantesca.

Então, a minha decisão em relação a esse preconceito é que eu tento ignorar, não promover e não me deixar a pensar que sou apenas isso e aquilo. Eu sou brasileira e muito mais!
(os exemplos não são tão bons assim, queria mesmo dizer que tento não falar apenas dos aspectos ruins do brasil e me colocar numa posição inferior pq sou brasileira!).

3 comentários:

Atropos disse...

Concordo! Sem contar que "latina", para quem está na Europa ou nos EUA, é um termo bem depreciativo.

[ Na situação da entrevista, vc poderia ter aproveitado que estava no inferno e abraçado o capeta: que soltasse um "Excuse me? Spanish?". ]

Enfim, brasileira ou não, vc é, em primeiro lugar, uma pessoa - e uma pessoa que tem valor. Mostre pra eles o que eles estão perdendo!

Beijocas

Anônimo disse...

Interessante e nojento toda essa história por trás do preconceito. Diminuir quem quer q seja por sua religião, raça, cor, sexualidade, é simplificar as coisas de um jeito tão imbecil que me dá nojo.

Sobre sofrer preconceito, sei mto bem o que é isso, vc sabe disso. O que tenho para dizer é que você TEM de se sentir FORTE, tem de se achar A MELHOR COISA QUE PODE ACONTECER à EMPRESA QUE VC FOR trabalhar e saber dos seus difereciais e pontos fortes e fracos. É simples, sentir-se poderosa dentro dos poderes que você detém.

Um beijo e força nessa batalha

Léo C. disse...

Obrigado por escrever-se e me dar mais uma leitura maravilhosa do lado de cá do mundo.

Léo, do leonafinlandia. Pelos seus textos de início já sei que vai ser um prazer ser seu stalker e seguir seus posts. ;)

Abraços de Lahti