sábado, 21 de novembro de 2009

Escrever-se

Após uma conversa com uma amiga, perguntas ainda permanecem vivas em minha mentes, então, resolvi voltar ao blog, pois o processo de colocar em palavras escritas podem vir a me acalmar (ou não). 

Como uma imagem pode te afetar? A mesma pintura pode propocionar inúmeras reações nos corpos daqueles que estão a admirar. Acredito que o mesmo ocorre com palavras, que vêm para te corromper, provocar inquietação. Mas isso não é um processo de uma simples "inércia", o leitor está em confronto com a imagem ou a palavra, esse confronto, acredito, não é lugar pacífico. Linguagem não é lugar do pacífico, do neutro, do regular. Afirmações são feitas, lugares são demarcados. O que há também é a ilusão necessária de que nossas palavras são "exatas", pois preciso que você entenda, achando q se falo "a", você poderá entender "a". Nós sabemos que não é assim, a neutralidade não existe, pois cada gesto nos afeta de uma forma. E volto assim para imagem, como um quadro artístico, se aquela imagem não te toca de uma maneira singular, também não te constítui, é preciso que ela venha, te marque. Não adianta imprimir em sua pele, pois ai seria somente colagem.
Essas inquietações vieram da minha necessidade de escrever uma Introdução no meu trabalho acadêmico, tentar explicar pq entre MIL coisas, eu escolhi aquele recorte, aquela teoria. Notei que tudo me deixava inquietada, que me dá uma certa angústia e me faz (re)pensar nos processos de significação, assim, (re)afirmando que linguagem é lugar do não pacífico - saindo da neutralidade - quero trabalhar na tensão da linguagem. E todo esse processo me constitui, o trabalho acadêmico, como muitos acreditam, pode cair na repetição de algo já feito. Hoje, percebo, que apesar das várias retomadas aos "clássicos", ele é meu, com olhos ávidos podem me ver ali. É isso que quero deixar, é essa minha proposta ao escrever - é escrever-se - numa linguagem própria ao campo que estou. E não estou "completa" (e nunca estarei), tenho sede de ser afetada por essas leituras, que sempre me deixam na berlinda. E é na berlinda que quero estar.

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