quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Aqui, a estória se acabou. Aqui, a estória acabada. Aqui, a estória acaba.

(...) Que Diadorim era o corpo de uma mulher, moça perfeita... Estarreci. A dôr não pode mais do que a surpresa. A côice d'arma, de coronha...

Ela era. Tal que assim se desencantava, num encanto tão terrível; e levantei mão para me benzer - mas com ela tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágrimas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim era uma mulher. Diadorim era mulher como o sol não acende a água do rio de Urucúia, como solucei meu desespero.

O senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem termo real.

Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:

- "Meu amor!..."

Foi assim. Eu tinha me debruçado na janela, para poder não presenciar o mundo. (...).

"Grande Sertão - Veredas" - G. Rosa

2 comentários:

Fernanda disse...

em cada fim há um novo começo.
;)

Dandalunda disse...

grande sertão do maior neologista do mundo, boa escolha!